A “narrativa do detalhe” X “a ingenuidade do óbvio”
O diabo mora na "narrativa do detalhe", MAS Deus mora na "ingenuidade do óbvio".
Nesse texto, vou tentar dar algum sentido e conexão a falas e expressões de profissionais das mais diversas áreas de atuação e formação, utilizando cenas de filmes, canções, charges, piadas, jargões profissionais, ou seja, um emaranhado de situações que, a princípio, não possuem uma relação entre si para desenvolver o tema proposto.
Fazendo uso da escrita hipertextual, possibilitada pela internet, sugiro ao leitor clicar no hiperlink disponibilizado no momento que o mesmo é lido, para compreender a conexão que tentei estabelecer e compreender o texto em sua amplitude.
Numa tentativa “endiabrada” de criar uma “narrativa temporária” me concentrando as vezes nos “detalhes” implícitos que minha consciência foi capaz de formular e captar ao observar e refletir sobre essas situações, tentarei fazer esses “cortes” e “recortes” com o objetivo de aproximar da “obviedade” da “ingenuidade” que os fatos e a situações cotidianas, verdadeiramente carregam. Vamos lá!
Acredito que a população que mais conhece artigos de legislações diversas seja a brasileira.
Mesmo tendo um grande número de jovens e adultos semi-alfabetizados, qualquer menor infrator, que esteja avançando na escola da marginalidade, tende a ser um MAIOR infrator, graduar-se e pós-graduar-se em algum presídio espalhado pelo Brasil afora, considerando os FEDERAIS, como o ápice da carreira.
Quando abordado e/ou preso por algum agente da Lei, em algum momento vai dizer: “não encosta não!”; “não vai dar nada pra mim!”; “amanhã estou na rua e você vai ter que me prender de novo!”; “essa quantidade vou ser enquadrado como usuário!”; “não vou falar nada sem a presença do meu advogado!”, e por aí vai.
Segue um exemplo para ilustrar a minha explanação. Observe que o humor permeia a situação, por parte do infrator, do repórter e do agente policial. Identifica-se com clareza, a “narrativa” do infrator, a riqueza de “detalhes” que ele inventa rapidamente desfeita pelo corte e chamada à obviedade e realidade do fato, pelo policial.
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Sendo alguém com poder e acesso à elite judiciária brasileira, a coisa se processa num outro nível de argumento.
O fato, o “óbvio”, demonstrado na “cara do freguês”, num passe de mágica, é reformulado e revertido contra o “freguês intruso” que poderá ser implicado pelo desconhecimento aprofundado do emaranhado das leis brasileiras e suas sinapses que, “ingênua ou propositalmente”, não foram ativadas pelo legislador, mais conhecidas como “brechas na lei”, terreno fértil onde o “narrador do detalhe” atua.
O caso mais icônico, partiu dessa declaração de solidariedade, submissão e fidelidade de um grupo de advogados ao seu “honroso” cliente.
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O “detalhe” que tornou vencedora a “narrativa” da tese defendida: Um “CEP” errado, que passou despercebido por todas as instâncias do poder judiciário e “magicamente” foi descoberto por esse “brilhante” grupo de advogados e aceita por um “juiz” da mais alta corte brasileira.
Conectando as duas cenas extremas, a do maior fumante do mundo e a da maior banca de advogados do mundo, o “óbvio” é visto também nessa reportagem, selecionada entre as inúmeras existentes no noticiário policial brasileiro, mostrando como a “narrativa do detalhe” já está difundida no poder judiciário brasileiro.
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Ao reagir, de maneira “ingênua”, apaixonada muitas vezes, diante dessas situações de injustiças “óbvias”, o operador do direito honesto, o cidadão de bem, o agente militar que todo dia deixa sua família em casa aflito, não sabendo se vai retornar ao final do dia, ao perder o controle e ter o seu dia de fúria, descobre que por detrás dessa estrutura toda da “narrativa do detalhe”, existe uma outra, que opera nos bastidores.
Para ilustrar essa outra estrutura, vou recorrer a uma canção que ficou famosa nas rádios do Brasil nas décadas de 1980/90.
Skowa & a Máfia - Amigo do Amigo
Não restando mais alternativas e prevalecendo “quase sempre” vencida a tese apresentada pelos operadores da “narrativa do detalhe”, omissão e relativização das autoridades constituídas, resta “quase sempre” ao adepto da “ingenuidade do óbvio”, fazer justiça com o próprio corpo.
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